E Tudo o Vento Levará...
Valerá a pena comentar diariamente a evolução do que é uma "guerra de atrito" entre duas grandes superpotências, uma apoiada na NATO e nos seus satélites ocidentais e a outra dependendo particularmente de si própria e dos seus aliados estratégicos - alguns fronteiriços, outros meramente geo-politicos e com interesses económicos objetivos?
A guerra na Ucrânia foi um conflito iniciado para durar meses e que resolveria as divergências politicas de Donbass entre o regime incumpridor ucraniano, os independentistas e a Rússia - defensora acérrima dos seus direitos de defesa fronteiriço (perante o que se sabia objetivamente do "Plano NATO") e em que os EUA aproveitaram para promover aquilo que estava previsto no Projeto da RAND para inverter a politica da Rússia e, por essa via, dividi-la em pedaços territoriais, no futuro, provocar convulsões internas no seu seio étnico e criar várias nações no imenso território da Rússia que - como a Geórgia, a Moldova, a Lituânia e alguns outros - fossem dominados pelas politicas neo-liberais do capitalismo ocidental, prometessem a "democracia colorida" aos povos dessas regiões e eliminassem a força conjunta da Rússia - provocando a pressão, ao mesmo tempo, sobre outros dos seus parceiros estratégicos, como a China, o Irão e a própria Turquia.
Nesse sentido os EUA, usando a NATO e os seus satélites europeus, avançou para a "guerra de atrito" usando o território da Ucrânia - objetivando usar esta como a "Mão de Ferro" ou o "Cavalo de Troia" para atingir os objetivos referidos. O conflito breve transformou-se, assim, em conflito permanente, e assim continuará até um dos lados considerar que os recursos empregues estão em vias de se esgotar. Tendencialmente há a noção de que - quando uma nação defende o seu território - e falamos aqui da Rússia - os recursos levam mais tempo a esgotar-se, pois os objetivos consignados na defesa pátria, económicos e financeiros poderão ir até ás últimas consequências. Isso já aconteceu no passado e é isso que a História nos conta.
A Ucrânia, por si só, há muito tempo esgotou os seus recursos pátrios, económicos e financeiros e apenas permanece no seu papel de representante do ocidente porque este lhe fornece as armas, os meios económicos e os financiamentos para se aguentar. Se não fosse isso o conflito teria sido resolvido no final de 2022. Mas isso não interessava para o "projeto ocidental dos EUA/NATO" nem para um conjunto de dirigentes europeus perfeitamente conciliados com os mesmos objetivos referidos, por interesses pessoais e politicos e, também, porque os seus projetos pessoais de vida passam pelas instituições que lhes podem alimentar o futuro: Blackrock, Golden Sachs, Banco Mundial, FMI, etc.
Neste sentido a guerra irá prosseguindo até que se esgotem as condições ocidentais para sustentar as necessidades ucranianas, seja através de ações militares desesperadas e com recurso á milicia estrangeira contratada, seja pelo esgotar dos equipamentos de guerra que talvez venham a fazer posteriormente falta ao ocidente na eventualidade deste conflito se alargar para a Europa - desejo que não se reconhece ser russo mas que é constantemente reafirmado pelo dirigismo europeu como justificativa das suas medidas.
Com a ação militar a Kursk a Ucrânia não resolve nenhum dos seus principais problemas: a retomada da Crimeia, Donbass, Lugansk, Zaporozhye ou Kherson. Com a ação militar a Kursk a Ucrânia apenas aumenta os seus problemas militares, usa e abusa dos melhores recursos militares que lhe foram oferecidos pelo ocidente e recua cada vez mais quilómetros nas áreas que ainda tinha capacidade de defender desde que o conflito se iniciou em 2014, porque este não é um conflito de 2022.
As populações ocidentais vêem, assim, que as decisões da maior parte dos governos europeus não correspondem nem a projetos de paz, nem à tentativa de solução dos seus vários problemas de diferente natureza: trabalho, habitação, melhor economia, melhor vida social, desenvolvimento na modernização dos seus recursos, melhor equilíbrio fiscal entre classes, etc.. Infelizmente a tendência popular é atribuir as culpas destas situações à "democracia" escolhendo depois caminhos ínvios e escolhas que promovem partidos menos democráticos para as fileiras dos seus representantes. Em Portugal já se fala em leis que reduzam a emigração ao "essencial" quando o objetivo é racista, xenófobo e colocar o país numa situação de falta de mão de obra para, de seguida, promover a privatização de tudo o que é necessário para atender as populações. Tem sido esse o "regime" das escolhas dos últimos governos e nem este, nem o próximo, recuperará a ideia de que é possível uma gestão pública eficaz no que significa o "bem público".
Portanto, vamos continuar a assistir ás opiniões de especialistas de todos os lados, uns defendendo a "dama" que lhe paga os comentários na televisão e jornais e pretende alinhar-se com a falácia ocidental de que se vai "derrotar a Rússia" e estes especialistas que "vivem por dentro" a realidade que alguns de nós sentimos através de canais mais independentes e isentos. Que ninguém espere o fim da guerra para o fim do ano ou para o ano seguinte: esta é uma guerra de atrito e só terminará quando um dos lados estiver demasiado gasto para aguentar a sua continuidade. Tudo indica que será o ocidente, com elevados custos para os cidadãos omissos que colocam as bandeirinhas da Ucrânia no perfil ou violentam os "putinistas" que comentam, sem perceber que nem se trata de símbolos, nem de escolhas politicas: trata-se de observar a realidade da geo-politica que vai gerindo o Mundo enquanto ele existir.
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