segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Trump a gozar com quem trabalha (Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 27/09/2025)

 

Trump a gozar com quem trabalha

(Major-General Carlos Branco, in Jornal Económico, 27/09/2025)


É com uma ironia mordaz que Trump se afasta da guerra na Ucrânia e transfere “a pasta” para os europeus. Mentes ingénuas esperavam outro desfecho julgando que Trump não se lembraria da forma como foi tratado pelos europeus durante a campanha eleitoral norte-americana e de que lado da barricada estiveram.


Gosta da Estátua de Sal? Click aqui

Trump fez furor na Assembleia-Geral da ONU. Qual um Jedi, com o sabre de luz em riste pronto a desferir golpes contra qualquer força do mal ou ideia malévola que se atravessasse no seu caminho (migração, alterações climáticas, transição verde, Tribunal Penal Internacional, etc.). No seguimento desta performance e de um encontro de sete minutos com Zelensky, Trump publicou na sua rede social um post que deixou muita gente em transe, dando a sensação de uma mudança súbita de posição sobre a guerra na Ucrânia, passando a apoiar incondicionalmente e sem reservas a causa de Kiev.

Trump teria adotado a narrativa de Zelensky, a dos dirigentes europeus e do seu enviado especial Keith Kellogg. Trump teria abraçado os objetivos maximalistas de Zelensky. Mas será mesmo assim? uma leitura cuidadosa nas entrelinhas do post mostra-nos sinais claros de algo muito diferente.

“Penso [Trump] que a Ucrânia, com o apoio da União Europeia, está em posição de lutar e reconquistar toda a Ucrânia na sua forma original. Com tempo, paciência e o apoio financeiro da Europa e, em particular, da NATO, as fronteiras originais de onde esta guerra começou são uma opção muito viável. Por que não?”

E acrescentou, “A Rússia tem lutado sem rumo há três anos e meio uma guerra que deveria ter levado menos de uma semana para ser vencida por uma potência militar real… Na verdade, parece um «tigre de papel». Quando as pessoas que vivem em Moscovo e em todas as grandes cidades, vilas e distritos da Rússia descobrirem o que realmente se passa com esta guerra… onde a maior parte do seu dinheiro está a ser gasto na luta contra a Ucrânia… que será capaz de recuperar o seu país na sua forma original e, quem sabe, talvez ir além disso! Putin e a Rússia estão em GRANDES dificuldades económicas, e este é o momento para a Ucrânia agir.”

Como dizem os anglo-saxónicos, last but not the least. O melhor estava para vir. Trump terminou o post desejando o melhor para ambos os países. “Continuaremos a fornecer armas à NATO para que a NATO faça o que quiser com elas. Boa sorte a todos!”

Por outras palavras, sendo os russos uns inúteis, estarem a combater há três anos e meio sem objetivo, com a economia à beira do colapso e filas sem fim para comprar gasolina por toda a Rússia, deverá ser fácil para a Ucrânia ganhar a guerra. Perante o estado calamitoso do tigre de papel russo, a Ucrânia vai ser capaz de prevalecer sem a ajuda norte-americana.

Como a UE está a fornecer à Ucrânia a ajuda de que esta necessita e como a Ucrânia, segundo Trump, tem um grande espírito de luta, vai ser capaz de reconquistar o seu país. Ou seja, se Kiev continuar a atacar a vitória será sua, nem precisará de parar nas fronteiras de 2014, podendo marchar até Moscovo, se assim o desejar. Será difícil ler as palavras de Trump sem entrever uma grande dose de ironia e sarcasmo. Há mais quem faça uma interpretação muito semelhante das suas palavras.

O correspondente-chefe do The Telegraph nos EUA Rob Crilly afirmou que Trump está a lavar as mãos da guerra na Ucrânia. “O que à primeira vista parece uma reviravolta impressionante pode, na verdade, ser uma má notícia para Volodymyr Zelensky.” Depois de perceber que não vai conseguir acabar com a guerra nem convencer Zelensky da posição de extrema vulnerabilidade em que se encontra, Trump está a informar o mundo de que os Estados Unidos se vão afastar do conflito, como tinha vindo a sugerir.

Trump não prometeu apoios adicionais à Ucrânia nem intensificou as ações sancionatórias e punitivas à Rússia. Ao invés, está a passar a responsabilidade pela resolução do conflito para a Europa e para a NATO, leia-se, para o pilar europeu da NATO, uma vez que os EUA também dela fazem parte. O seu objetivo, esse inequívoco, é o de continuar a vender armas aos europeus para continuarem a apoiar o esforço de guerra ucraniano.

O editor de defesa e segurança do Guardian Dan Sabbagh publicou um artigo em que, no fundamental, reiterou as mesmas ideias. A mudança de tom de Trump é valiosa para a Ucrânia, mas é preciso mais do que palavras. Segundo Sabbagh, para além de Trump não se mostrar muito convicto da sua implementação, o endurecimento das sanções económicas não irá ajudar a Ucrânia a vencer a guerra.

Ao condicionar as sanções à Rússia pela imposição prévia de sanções pelos europeus – que ele sabe serem irrealizáveis – como sejam a interrupção de todas as importações de petróleo e gás russo e sanções secundárias a outros países que comprem petróleo a Moscovo, como a China e a Índia, Trump está a fazer bluff. Está ciente de que os europeus não têm capacidade para lhes impor tarifas de 100%. Apostou que não o iriam fazer e acertou.

Sabbagh vai ainda mais longe e diz que um fornecimento mais concertado de armas dos EUA certamente ajudaria a Ucrânia, mas não a ajudaria a vencer a guerra. Sublinha ainda que a “necessidade mais premente da Ucrânia é melhorar a sua defesa aérea. Mas não é isso que Trump lhe está a oferecer. É conhecido o nível em que se encontram os arsenais norte-americanos. Em contrapartida, Trump aconselhou a Ucrânia a ter paciência. Afinal, “com tempo, paciência e o apoio financeiro da Europa acabará por prevalecer.”

Estando Kiev a ganhar a guerra e Moscovo a perdê-la, como avançado pela narrativa da Ucrânia e dos países europeus, então porque é que Kiev e a Europa precisam dos Estados Unidos e Washington precisa de se envolver em negociações para encontrar um fim para a guerra? Estes raciocínios terão estado presentes na mente de Trump quando sugeriu aos ucranianos, no seu post, para seguirem em frente, se acham que vão ganhar a guerra.

Aliás, não será difícil, uma vez que a economia russa está esfrangalhada e os russos fazem fila nos postos de gasolina. É isso que Kellogg, Starmer, Macron e Merz têm vindo reiteradamente a dizer. Então por que não deixar a Ucrânia ganhar e prescindir dos americanos? Não sendo mais precisos, podem ir embora ou, como escreveu Crilly no The Telegraph, Trump está a lavar as mãos da guerra da Ucrânia. No fundo, Trump está a dizer basta! Vou-me embora.

Zelensky saiu da reunião com Trump em Nova Iorque dizendo que Trump forneceria garantias de segurança após o fim da guerra. Não percebeu o que lhe foi dito. Trump continua a não lhe dar garantias de segurança. Afinal, se a Ucrânia vai ganhar a guerra, qual é a necessidade de garantias de segurança e de forças de manutenção da paz, ou seja do que forem? Se a Ucrânia está a ganhar e tem tudo sob controlo não há necessidade de perder tempo a falar de forças de paz. Por que estamos a discutir medidas de apoio e forças de manutenção da paz quando está bastante claro que a Ucrânia, por si só, com a ajuda da NATO e da UE, vai vencer a guerra? muito provavelmente, Trump terá pensado nisto enquanto batia com as pontas dos dedos no teclado.

Perante estes desenvolvimentos lógicos, Trump dever-se-á ter interrogado sobre o motivo do frenesim em redor das garantias de segurança. Provavelmente nem as sanções e as tarifas contra a China serão necessárias porque a economia da Rússia já está em colapso. Sem que isto obstaculize a Ucrânia de continuar a receber armas dos EUA, pagas pelos europeus, algo que estes podem continuar a fazer indefinidamente.

Tudo o que Kiev precisa de fazer é continuar a lutar até vencer. Embora Trump não o diga de modo explícito, parece demasiado evidente que a Ucrânia terá de lutar por si mesmo, sem as garantias de segurança proporcionadas pelos EUA, sem o apoio financeiro e as armas oferecidas pelos norte-americanos.

Portanto, se a Ucrânia está a ganhar a guerra e a Rússia está a perdê-la, podemos imaginar Trump a perguntar-se: porque será que a Ucrânia e a Europa precisam dos Estados Unidos? Porque precisa Washington de se envolver nas negociações para encontrar um fim para a guerra?

É com uma ironia mordaz que Trump se afasta da guerra na Ucrânia e transfere “a pasta” para os europeus. A notícia que prometeu dar há umas semanas foi agora transmitida através deste post. Mentes ingénuas esperavam outro desfecho julgando que Trump não se lembraria da forma como foi tratado pelos europeus durante a campanha eleitoral norte-americana e de que lado da barricada estiveram.

A ingenuidade quanto à possibilidade de outro desfecho, não deixa de ser tremendamente irresponsável. A esperança de que pudesse ser de outra maneira foi alimentada por incapazes, apesar de serem conhecidas as declarações, por exemplo, do Secretário de Estado Marco Rubio, que tem vindo a dizer serem indesejáveis novas sanções contra a Rússia, porque se os Estados Unidos seguirem esse caminho queimarão, de uma vez por todas, as pontes com Moscovo e isso comprometerá todas as iniciativas para uma resolução negociada.

A humilhação continuou quando os países europeus e a Ucrânia propuseram no Conselho de Segurança uma Resolução a criticar a Rússia, em que se reiterava a integridade territorial da Ucrânia, independência, soberania e em que se apelava à cessação imediata das hostilidades. Os EUA romperam com os seus aliados ocidentais e votaram contra.

Regressando a um tema desenvolvido em artigos anteriores. Qual será a reação dos povos quando ficar claro que a Ucrânia não está a ganhar e que a Rússia afinal não está tão debilitada como os dirigentes europeus andaram a apregoar e lhes tentaram fazer crer? Não deixa de ser estúpida a insistência nessa line to take estafada, repetida ad nauseam, quando está mais do que comprovada a sua falsidade. Num exercício de cinismo, Pjotr Sauer num artigo recente no Guardian, sem perceber o sarcasmo do post, vem questionar a justeza da afirmação de Trump quando este afirmou encontrar-se a economia russa à beira do colapso.

Segundo ele, afinal a “guerra trouxe um boom para algumas pessoas [na Rússia] no início [da guerra]”. A admissão da manipulação (des)informativa levada a cabo por alguma comunicação social ocorre lentamente, infelizmente através de deslizes, e não de modo deliberado. Não só se coloca agora apenas a questão de saber quanto tempo vai ser necessário para os europeus perceberem o buraco em que nos encontramos, mas também qual será a solução. Quanto mais tarde isso acontecer, pior.

sábado, 30 de agosto de 2025

 

O “Admirável Mundo Novo…”

(Manuel Duran Clemente, in Facebook, 10/04/2022)

(Há textos notáveis e este é um texto notável. Uma reflexão sobre o atual momento histórico, vista pelo prisma de quem se sente português, em Portugal, integrando nessa visão todos os nossos méritos e deméritos, virtudes e defeitos, esses atributos que nos fizeram ser um pequeno país, ainda assim grande por vezes nos cometimentos – dizem alguns. Aqui fica. Para a reflexão de todos. Tanto dos que me aplaudem como daqueles que me querem calar e incinerar.

Estátua de Sal, 12/04/2022)


1. “Vejo com inquietação o avanço da ignorância e da hipocrisia” podia ser o título dum ensaio sobre o que se lê nas redes sociais e na imprensa… Sobre o que se ouve nas televisões acerca da Guerra na Ucrânia, da perigosa invasão Russa e do esquecimento da estratégia de alargamento da NATO…!!!

A famosa distopia de Aldous Huxley sobre uma sociedade totalitária do futuro, regida pela tecnologia e pelo materialismo e sob a máscara da democracia e da felicidade.

“Admirável Mundo Novo” é uma parábola fantástica sobre a desumanização dos seres humanos.

«Na utopia negativa descrita no livro, o Homem foi subjugado pelas suas invenções. A ciência, a tecnologia e a organização social deixaram de estar ao serviço do Homem; tornaram-se os seus amos. Desde a publicação deste livro, o mundo rumou a passos tão largos na direcção errada que, se fosse escrita hoje a mesma obra, a acção não distaria seiscentos anos do presente, mas somente duzentos. O preço da liberdade, e até da simples humanidade, é a vigilância eterna.»

Encontrei hoje este preambulo assertivo ao pensar que vou deixar de manifestar a minha inquietação nas redes sociais perante a teimosia cega de uma corrente de afirmações pessoais e de uma histeria mediática apostada em inflamar os ânimos com visões parciais e caça às bruxas.

Em vez de iniciativas que imponham rapidamente a paz assistimos a uma onda de narrativa de ódio que se estende a toda uma Europa com censura e xenofobia contra a população russa que não tem responsabilidade com o que está a acontecer e, até, é também sua vítima.

Com uma vergonhosa onda de russofobia decidir penalizar trabalhadores, artistas, desportistas, eventos culturais…como está acontecendo por parte de certas organizações é uma atitude difícil de perceber.

Temos outra pandemia.

Ontem a adquirir medicamentos numa farmácia inquiri uma médica, lá trabalhadora, sobre a sua nacionalidade. Esquivou-se. Insisti. Com o meu instinto disse: “não me diga que é russa?”. Confirmou, com receio. Descansei-a com conforto verbal. Vim no regresso a casa perplexo e abatido. Que mundo é este?!!

2.”Vejo com inquietação o avanço da ignorância e da hipocrisia” (Continuação).

“O presidente ucraniano, Volodydymyr Zelensky, disse, durante uma entrevista televisiva na segunda-feira, que não vai insistir na adesão da Ucrânia à NATO, uma das questões que motivaram oficialmente a invasão russa”.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky acusa o Ocidente de quebrar promessas sobre proteção aérea.

“Por várias vezes, Putin disse que a adesão da Ucrânia à NATO constituía uma ameaça para os interesses de Moscovo, tendo exigido ao Ocidente que não expandisse a sua zona de influência militar junto das suas fronteiras.”

“O Presidente russo também reconheceu as duas autoproclamadas repúblicas separatistas pró-Rússia no leste da Ucrânia, exigindo agora que Kiev também as reconheça.”

“A invasão russa foi condenada pela generalidade da comunidade internacional que está a responder com o envio de armamento para a Ucrânia e o reforço de sanções económicas e financeiras a Moscovo.”

“Vladimir Putin justificou a “operação militar especial” na Ucrânia com a necessidade de desmilitarizar o país vizinho, afirmando ser a única maneira de a Rússia se defender e garantindo que a ofensiva durará o tempo necessário.”

Estes são cinco parágrafos de notícias recentes conhecidas e dos OCS. De alguma verdade a que temos direito.

Mais há mais quem tenha escrito.

Desta vez Miguel Sousa Tavares, no jornal Expresso, nestas três ideias força:

“E se é verdade que Putin anexou a Crimeia, não é menos verdade que esta sempre fora uma província russa (como a Florida é dos Estados Unidos) — tanto que foi ali, em Ialta, que teve lugar a mais importante cimeira dos Aliados durante a 2ª Grande Guerra, entre Estaline, Churchill e Roosevelt, e que a sua anexação teve o apoio maio­ritário da população, pois a entrega à Ucrânia, durante o tempo da URSS, fora um gesto absurdo do ucraniano secretário-geral do PCUS, Khrushchov.”

“E na questão da adesão da Ucrânia à NATO, com a consequente instalação de tropas da NATO e armas nucleares no seu território apontadas à Rússia, Putin pode estar carregado de razão.”

“Por igual razão, Kennedy esteve à beira de desencadear a terceira guerra mundial quando o mesmo Khrushchov quis instalar mísseis russos em Cuba, apontados aos Estados Unidos. A mesma narrativa não pode ter duas leituras e duas morais diferentes.”» (M.S.T.)

A condenação -da invasão russa – pela generalidade da comunidade internacional pode confortar-nos a todos. A todos que seriamente odeiam invasões mas concomitantemente odeiam meias verdades. Cuidam de evitar entrar no palco da histeria mediática. Sem se darem conta das omissões graves e das visões parciais colocadas à vista de todos. Não só no que tem acontecido mas no que acontece no presente.

Não chega dizer. O passado não justifica o presente. Basta verificar. O presente resulta do passado.

Ontem. Todo o Ocidente lúcido se queixava. Ai o admirável mundo novo!

Hoje todos parecem terem sido vacinados. Acordaram na parte bela e feliz do planeta. A leste do Éden. Bem dentro Paraíso.

3. “Vejo com inquietação o avanço da ignorância e da histeria” (Conclusão)

Nos anteriores capítulos falei do livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley. Hoje vou falar das contradições do saber e não posso deixar de referir “A Rebelião das Massas” de J. Ortega y Gasset…notável pensador “hermano”.

Li-o antes dos meus vinte anos assim como Garcia Lorca, Jorge Amado, Gabriel Garcia Márquez, Simone Beauvoir, Marguerite Yourcenar (esse imortal “Memórias de Adriano”), A. Saint-Exupéry (a “Cidadela” e “Petit Prince”), John Steinbeck (“Ratos e Homens” e a “25ª Hora”), Torga, Camilo, Herculano, Eça, Fernando Pessoa (Obra Poética/ edição, em papel bíblia, de S. Paulo, 1960, que me acompanhou sempre nas viagens desde os meus 19 anos e ainda acompanha). Li outros calhamaços ou muito pequenos em tamanho como o que dizem ser – o mais bem escrito, de sempre (?)- “A Crónica duma Morte Anunciada” de GGM. Também li, escrevi e investiguei Camões, Cervantes e Bocage e até o Luso-Tropicalismo de Gilberto Freyre. Isto nos tenros anos 50, 60 e 70. Depois li muito mais como é óbvio, nunca esquecendo Saramago e para mim o seu eterno “Levantado do Chão”. Li bastante sobre geopolítica e política, como entenderão. No meu exílio – sabia (?) fui exilado na República Popular de Angola – até 09.Set.1976. Exilado por irmãos de Abril e depois deste. Nesses seis meses, com o “frio” da tropical angústia – sem filhos e família -voltei a ler o livro “Rebelião das Massas” que Edmar Edgar Valles, amigo assassinado no 27 de Maio de 1977, me havia emprestado. Fará algum sentido esta narração apologética narcísica? Faz. Na sociedade e “mundo” ignaros de hoje … Só alguns percebem como certas circunstâncias fazem sentido.

Acontece que em setembro passado numa entrevista que dei ao Jornal do Fundão, à ultima questão que me foi colocada, ficou lavrada a seguinte resposta:

Vejo com muita inquietação este crescimento dos extremismos. Para mim o responsável é o sistema desumano, do capitalismo internacional, que se instalou no globo, descurando a felicidade humana e jogando com ela apenas por interesse material e lucro. A demagogia e o populismo manipulam os mais desfavorecidos e descontentes. Saber mais e melhor é preciso para distinguir oportunismos assaz perigosos…

Isto foi dito, por mim, seis meses antes da invasão da Ucrânia. A nossa sociedade (a não alienada e até a alienada) clamava por mal-estar permanente.

Nós os portugueses. É neles que me preocupa (nos preocupa) ver com inquietação o avançar da ignorância e da hipocrisia. Ou não? Éramos ou estávamos reféns:

3.1.-Internamente: -*Reféns de uma cultura “de poder pelo poder” em vez “do poder pelas pessoas, pelas nossas gentes”…

*Reféns pela mentira, pela manipulação, pelo “faz de conta”…

*Reféns pelo angariar clientelas a todo o custo…criando elites sôfregas por lugares ao sol…e que por aí vão propagando formas de estar e de vivência nada condizentes com o espírito de Abril…

*Reféns de se fazerem de “ouvidos moucos” das verdadeiras necessidades e ensejos do povo trabalhador…

*Reféns de acções constantes dum asfixiar das responsabilidades cívicas e dos direitos de participação e da cidadania activa que Abril abriu…

*Reféns, por muito que nos custe, do prodígio da incompetência e da estratégia do suicídio…que o mais pessimista de nós nunca esperaria após o 25 de Abril…

*Reféns da ilusão de alternativas salvadores mas que apenas têm escondido o papel de afundadores do País de Abril, repetindo e alternando a farsa a que se entregaram nestas cinco décadas…subvertendo na prática as normas, os fundamentos e as linhas orientadoras da Constituição de 1976…e até querendo atribuir-lhe os males do País…

*Reféns pela incapacidade de desmontar uma intensa ofensiva ideológica levada a cabo pelos órgãos de comunicação, propriedade do grande capital, cujo objectivo tem sido criar condições favoráveis à continuação da política dos poderosos…e à desqualificação da vida dos trabalhadores…

*Reféns da corrupção, da apropriação, assalto e esbulho aos bens, que supostamente deveriam estar ao serviço de todos os cidadãos, mas têm servido para a criação de coutadas geradoras de lucros e escandalosas remunerações e prémios anuais recordes do mundo …

*Reféns, pecado maior, do mando dos grupos financeiros e económicos nacionais, a cuja subordinação, esta nossa democracia já compete com os piores tempos da ditadura…

E, ainda mais, a nível global, éramos ou estávamos reféns:

3.2-Externamente: -*Reféns duma débil e falsa União Europeia (um gigante de pés de barro) para onde partimos (em 1985) apenas com dez anos de democracia e com um estrondoso atraso estrutural económico (herdado da ditadura) que só por si merecia, como muitos avisaram, outro tipo de negociações, outras cautelas, leviana e festivamente, desprezadas…

*Reféns da incapacidade de fazer valerem os pontos de vista nacionais, submissos à abdicação e imposição que nos fragilizaram em sectores económicos vitais (como nas pescas, na indústria e na agricultura…) entre outras malfeitorias semelhantes…

*Reféns ou aliados à cegueira de não perceber que a crise internacional teve responsáveis…os mesmíssimos que agora a querem curar à custa dos mais fracos e dos que são sempre sacrificados: quem trabalha e produz…

*Reféns ou cúmplices da ignorância do que tem acontecido aos povos que recorreram à designada “ajuda externa” que não é mais do que um “eufemismo” porque significa tudo menos ajuda. É exploração, é especulação, é ingerência…

*Reféns duma lógica de integração capitalista que é o aumento da acumulação e concentração de capital dos grandes conglomerados de empresas, dos monopólios dos países mais ricos e desenvolvidos que não só engordam à custa do saque dos países do terceiro mundo, como também dos países menos desenvolvidos da U.E….

*Reféns, pecado ainda maior, de não perceber que as ditas crises financeiras resultam das crises do capitalismo e baseiam-se sempre na sobre acumulação de capital na esfera da produção. Não perceber que perante as crises ou impasses o capital monopolista irá tornar-se mais agressivo, predatório e sem escrúpulos, intensificando a exploração dos trabalhadores. O objectivo é a redução do custo da força do trabalho…

*Reféns de não perceber ou ser cúmplices de que nenhum pacto, mecanismo ou programa de estabilidade, poderá, só por si, debelar a crise ou resolver as contradições do capitalismo, como ataque selvagem e bárbaro do capital contra os direitos e vida dos trabalhadores, das camadas populares e dos jovens… …

*Reféns de não compreender que com a continuação das politicas e dos comportamentos ,que teimosamente o Capital impõe ( perante o qual se têm vergado os responsáveis portugueses)…com a continuação dessas políticas o desemprego, a pobreza, e as contradições entre os estados-membros da U.E. irão aumentar, com graves consequências para os povos…

*Reféns de não entender que a escalada de ataques antipopulares atingirá todos os estados membros da U.E, porque o Capital Monopolista quer é reduzir o custo da força do trabalho, o seu objectivo fulcral é reforçar a competitividade não só em relação aos EUA, mas também em relação às forças emergentes como China, India e outras, com mão de obra muito mais baixa… a questão dos défices e dos endividamentos pode ser apenas e tão somente uma cortina de fumo…

Nós os portugueses. É neles que me preocupa (nos preocupa) ver com inquietação o avançar da ignorância e da hipocrisia. Ou não? Éramos ou estávamos reféns destes factores.

Milagre. Com a brutal invasão do capitalista “putinista” deixámos de estar reféns? Ou, ao invés, ainda podemos ficar mais presos, mais pobres e mais alienados?

O título do livro de J. Ortega Y Gasset engana os ingénuos e incultos. Não trata da revolta do povo sacrificado. Trata do povo massificado pela poluição corrente da atmosfera. Poluição igual a ignorância. Ignorância igual a POPULISMO ou a pior. Hegemonia do obscurantismo, obstáculo do progresso e da união cidadã para uma sociedade melhor, mais verdadeiramente igualitária e solidária. Menos enganosa e hipócrita.

Viva Abril.


sábado, 2 de agosto de 2025

Antonia Bergano 2 d · Subscrevo!🦉 A tua mensagem!*****Texto do major general Raul Cunha, partilhado por Tita Alvarez

 Antonia Bergano

2 d 
Subscrevo!🦉
A tua mensagem!*****
👉📢💪🎀👒👏👏👏👏👏🆎
VOLODIMIR ZELENSKY
Desde o início desta 2ª guerra na Ucrânia e mesmo um pouco antes, quando observei as conversações em Paris sobre os acordos de Minsk, que considerei o comportamento do presidente Zelensky como inadequado de todo para um líder da que considero uma nação que merecia melhor sorte.
Com o desencadear das hostilidades, e face à sua continuação, fui constatando a óbvia tendência do indivíduo para o narcisismo e culto da personalidade, não conseguindo esconder as suas características mais negativas, sendo claro o seu deleite ao sentir-se bajulado e homenageado por uma caterva de personalidades que só o faziam por uma simpatia cínica pela sua situação e por assim poderem dar vazão à sua russofobia. Considerei sempre muito estranho todo aquele “amor” por um ser desprezível que transpirava rancor e exibia um mau carácter militante – para mim, aqueles líderes e representantes dos media, que o adulavam e adulam, ou são tão miseráveis como ele, ou então são uns verdadeiros palermas facilmente enganáveis. Obviamente que não critico os incautos que, por força de uma poderosíssima propaganda, o consideram um bem intencionado dirigente político.
Esse indivíduo é um verdadeiro monstro nos meandros da sociedade. Trata-se de um toxicodependente cuja dependência química o afunda num mundo de confusão e irracionalidade que o afasta, cada vez mais, da realidade e da moralidade. O seu mau carácter manifesta-se em cada gesto, em cada palavra que sai da sua boca. É falso ao ponto de se ter transformado numa máquina de mentiras, enganando toda a gente ao seu redor, sem se importar com as consequências; e é para mim absolutamente fantástico que não apareça nos media um jornalista ou repórter que o desmascare – de facto é grande o poder dos orgãos de propaganda do ocidente alargado e sobretudo o receio de represálias sobre quem ouse abrir o livro sobre o energúmeno.
O actor Zelensky é rancoroso e guarda ressentimento por muito tempo, se necessário, à espera do momento certo para as suas vinganças. Invejoso, olha pleno de azedume para aqueles que têm o que ele deseja, seja sucesso, riqueza ou amor. Sem qualquer moral ou idoneidade, sente-se livre para agir conforme bem entender, sem se preocupar minimamente com o bem-estar dos que o rodeiam. Esse homem é capaz de cometer os maiores crimes contra o seu próprio povo e sacrificá-lo para seu benefício. Não hesita em causar danos e mandar sequestrar, prender ou até matar, se isso significar poder alcançar os seus objetivos egoístas. É corrupto, aproveitando todas as hipóteses que lhe garantam dinheiro sujo, bem como todas as oportunidades para negócios ilícitos. A sua busca incessante pelos areópagos que lhe concedam a fama e protagonismo, mesmo que imerecidos, levam-no a fazer qualquer coisa, sem se importar com as regras ou com o Direito.
O que o torna ainda mais perigoso é a sua capacidade de enganar as lideranças e os meios de comunicação social. Ele adota um comportamento fictício, um disfarce tão convincente que, muitas vezes, consegue enganar até os mais cínicos.
Ele atua como se fosse um herói, um defensor da causa justa, enquanto por detrás dessa máscara se esconde um vilão. No entanto, de tempos a tempos, os seus verdadeiros sentimentos de ressabiamento e mágoa transbordam e são esses esgares, esses trejeitos de ódio que finalmente denunciam quem ele realmente é: um monstro asqueroso disfarçado de um dirigente com boas intenções.
Esse indivíduo representa o pior da humanidade, um exemplo de como o poder, a ganância e o ódio podem corromper completamente alguém, transformando-o numa ameaça para a sociedade e para o futuro de todos nós.
Há que perder o medo de represálias e finalmente começar a desmascará-lo e trazer para a opinião pública a verdade sobre as suas nefastas ações.
( Major-General Raul Luis Cunha)