quinta-feira, 28 de abril de 2022

Classe média e Ucrânia! (Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 26/04/2022)

 

Classe média e Ucrânia!

(Carlos Matos Gomes, in Medium.com, 26/04/2022)

Otermo “classes médias” não tem uma definição universal, mas sabemos que nas modernas sociedades são elas que pagam as contas. São os explorados de boa vontade e animados com a fé de serem colaboradores dos ricos.

A classe média é um grupo social em que o trabalho foi substituído pela colaboração. A doutrina do neoliberalismo separou os seus elementos dos trabalhadores (assalariados) ao convencê-los que o seu bem-estar futuro se deve à sua iniciativa individual, à sua agressividade, à sua disposição para fazerem tudo, à certeza de que os fins justificam os meios, da inutilidade de ações coletivas, de políticas sociais, da solidariedade.

O medo que o comunismo conquistasse os trabalhadores e as classes médias europeias fora a razão da criação do estado de social na Europa, conduzido pelas sociais-democracias e pelas democracias cristãs. Uma das causas da II Guerra Mundial, da ascensão do nazismo e da complacência da Inglaterra e dos EUA foi o medo que o comunismo destronasse o regime de domínio dos patrões. O fim da URSS ditou o fim desse medo e abriu caminho ao neoliberalismo, ao fim do Estado social a que estamos a assistir, juntamente com o fim dos partidos tradicionais na Europa continental.

A destruição da classe média tem sido conduzida com requintes de perversidade: é a própria classe média que, de jeans de marca, bronzeada, intitulada de “famosos” nas revistas, televisões e redes sociais, passou a trocar três refeições por dia por uma ida a um bar da moda, a um ginásio, que “posta” uma foto no FB ou no Instagram e se suicida com uns shots!

O mimetismo da imagem da classe média ao surgir mascarada de classe privilegiada (as oligarquias) fá-las ter a mesma leitura da realidade que os poderosos. Passam a pensar como os donos. (Síndrome de Estocolmo: afeto pelo agressor.)

A guerra na Ucrânia é um excelente revelador deste tipo de transferência de afetos e de leitura da realidade, em que o “colaborador” segue o dono e vai com ele até à sala de ordenha para lhe extraírem o leite, no melhor dos casos, ou para o matador para ser hamburguizada.

A guerra na Ucrânia tem por finalidade defender um mesmo modelo de sociedade de exploração e acumulação pelos dois contendores, os Estados Unidos, que têm o seu modelo em crise política (populismo), económica (pobreza) e social (racismo e etnicidade) e a Rússia que pretende passar de uma sociedade típica do terceiro mundo, exportadora de matérias-primas, para uma sociedade de capitalismo desenvolvido e de consumo.

O poder instalado no Kremlin promete aos russos os bens e os produtos desejados pela classe média — daí a relativa popularidade do poder de Putin e desta guerra feita em nome da grandeza da grande Rússia. E os EUA, depois de proletarizarem a sua classe média, necessitam de fazer o mesmo à classe média europeia, caríssima com os seus sistemas de segurança social, educação, saúde, preocupações ambientais. A classe média europeia tem de ser privatizada: pagar planos de reformas privados, planos de saúde privados, escolas privadas… Tem de ser privada de tudo. Americanizada.

Se eu vir Ucrânia como o forno crematório da classe média europeia, além de um campo de lançamento de foguetes sobre a Rússia, a classe média europeia responder-me-á que a Ucrânia é apenas um Club Méditerranée com todas as comodidades e liberdades, dirigido por um excelente animador e que os russos querem tomar para si. Que a NATO é uma respeitável empresa de segurança privada e a UE uma empresa de Cash&Carry.

A conta desta guerra irá, com a nova ordem de democratização da pobreza na Europa, irá certamente para a mesa da classe média europeia, que parece feliz por ir ver aumentar a sua fatura com armas, embora só refile por causa das do gás e da gasolina, do pão e do óleo de girassol… produtos de pobre. As armas têm outra dignidade!


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Antonio Pereira está a sentir-se grato com Ana Mateus. Ontem às 10:43 · , por Joana Freire...

 

Pode ser uma imagem de texto
Antonio Pereira está a sentir-se grato com Ana Mateus.
Artigo muito interessante que a nossa Amiga Ana Mateus, colocou como comentário numa publicação do nosso Amigo, Paulo Pereira.
Será que tem pernas para andar e concretizar?
Ainda é muito cedo para retirar conclusão tão apressada... A história o confirmará! ou não???
A Ucrânia e o fim da história
por Batiushka para o Blog Saker
Introdução: 1492-2022
O conflito actual na Ucrânia claramente não é realmente sobre a Ucrânia – essa coleção artificial de territórios é apenas um trágico campo de batalha entre o Ocidente e o Resto. O conflito é sobre a violência organizada e a extraordinária arrogância do Ocidente, EUA/Reino Unido/UE/OTAN, contra o resto do mundo, especificamente a Rússia, apoiada pela China, Índia e, de facto, todos os restantes povos. Portanto, a próxima vitória russa na operação especial na Ucrânia significa essencialmente o fim dos 500 anos de dominação do planeta pelo Ocidente.
É por isso que o pequeno mundo ocidental, cerca de 15% do planeta, é tão virulento na sua oposição ao povo russo.
A vitória russa minará os resquícios da fé ilusória na superioridade mítica do Ocidente e, sobretudo, dos EUA, medo que por muito tempo desencorajou a resistência do 'Resto' ao Ocidente. Nem o Irão, nem mesmo a China arriscaram desafiar os EUA – a Rússia acaba de fazê-lo. A Ucrânia é o Titanic 'inafundável' dos EUA e a Rússia o iceberg no seu curso, para afundar a arrogância e o exagero dos EUA. Quando o mundo vir a vitória russa, pelo menos quatro continentes, Europa e China asiática, Índia, Irão, Arábia Saudita, bem como América Latina e África, votarão pela liberdade do Império Americano. É o fim da dominação ocidental, "o fim da história" de ocidentais etnocêntricos como Francis Fukuyama.
Para a Rússia e a própria Europa, prevemos cinco consequências principais. A saber:
1. Retirada da América da Europa
A vitória russa levará à grande redução ou mesmo à retirada das forças americanas que ocupam a Europa Ocidental desde 1945 (o Reino Unido desde 1942) e a Europa Central e Oriental a partir de 1991. Nos EUA, os sentimentos isolacionistas já são fortes depois das derrotas humilhantes dos EUA no Iraque e no Afeganistão e as divisões internas violentas nos Estados Unidos só serão reforçadas. Os EUA retirar-se-.ão para sua ilha dividida. A unidade transatlântica entrará em colapso. Então a Europa Ocidental pode finalmente sair de seu isolamento na ponta da península ocidental do continente euro-asiático e juntar-se à corrente principal de uma Eurásia libertada, liderada pela Federação Russa.
2. O Fim da UE
A UE sempre foi um conceito dos EUA em todos os aspectos, destinado a tornar-se num USE, um Estados Unidos da Europa. Já existe um grande número de tensões dentro dele. O Brexit, resultado do patriotismo inglês, ou seja, britânico e anti-Establishment, aconteceu. As outras tensões exigirão soluções após a vitória russa. Após essa vitória, o espaço para qualquer expansão da UE e colonização da Europa Central e Oriental, inclusive nos Balcãs Ocidentais, terminará. O fim da nova colonização após a perda da Ucrânia, rica em recursos naturais, minará os restos da já dividida UE. A Ucrânia era um estado-tampão e centro de recursos para a UE colonial. A sua libertação significa a proximidade directa da UE com a Rússia e a restauração da influência russa. Com a vitória russa,
3. A Renovação da Rússia Imperial
Os bilhões gastos em subornar elites marionetes pró-ocidentais traiçoeiras em ex-repúblicas soviéticas como os Estados Bálticos, Bielorrússia, Moldávia, Geórgia, Cazaquistão e os outros quatro 'stans' da Ásia Central terão sido desperdiçados. O mito da superioridade ocidental sobre a qual essas elites foram criadas dará lugar à realidade. Isso acabará com suas oportunidades de ganhar dólares e fazer carreira com a russofobia alugando territórios nacionais para bases dos EUA, instalações de tortura da CIA ou laboratórios biológicos racistas de guerra bacteriológica para criar doenças. A Geórgia foi a primeira a entender isso no início de 2022, recusando-se a aderir às sanções anti-russas. Na Moldávia, o prazo vem-se aproximando, enquanto as tropas russas se preparam para libertar Odessa e romper o corredor terrestre para unir a Transnístria à Rússia.
4. Valores russos para remodelar a Europa Central e Oriental
O fortalecimento das identidades da Europa Central e Oriental em Estados-nação como Hungria, Eslováquia e Polónia levará à sua reaproximação com a Rússia. A vitória da Rússia significará um aumento da simpatia por ela em vários estados-nação da Europa Central e Oriental, não apenas na Sérvia, Montenegro, Macedónia do Norte e na Hungria, Eslováquia e Polónia, mas também nos Estados Bálticos, Áustria, Terras Checas , Roménia, Bulgária, Grécia e Chipre . Uma vez que suas elites venais, antipatrióticas e nomeadas pelos EUA tenham caído, os valores russos retornarão a esses países como uma força influente.
5. Valores russos para remodelar a Europa Ocidental
A UE, fundada imediatamente após o colapso da SU (União Soviética), foi desde o início uma construção artificial, sobre a rejeição do patriotismo em favor de uma identidade europeia supranacional inexistente. O patriotismo é uma ameaça existencial para Bruxelas. Em parte, é por isso que, nos dias do Mercado Comum, De Gaulle, que queria uma confederação de pátrias, foi derrubado na mudança de regime dos EUA em 1968. Então, em 2016, os patriotas votaram pelo Brexit contra a elite do establishment e o presidente democrata Obama. A UE sempre foi sobre a rejeição de identidades nacionais em favor de valores pós-cristãos, na verdade anti-cristãos, anti-nacionais e anti-família, imigração em massa de escravos pagos, a imposição da agenda LGBT, a restrição de liberdades para anti- -Vistas da UE etc. Estes não são valores russos.
Conclusão: Desnazificação Global
Assim como em 1814 as tropas russas libertaram Paris e em 1945 Berlim, na década de 2020 Bruxelas será libertada, ou melhor, entrará em colapso sob a pressão dos valores russos. Falamos da desintegração da União Europeia criada pelos EUA e também das bases americanas na Europa Oriental e na antiga União Soviética Oriental. Veremos o surgimento de centros nacionais, da Escócia ao Chipre, da Catalunha à Mongólia, da Eslováquia à Ásia Central. A bolha da arrogância ocidental, EUA/Reino Unido/UE vem sendo estourada pela libertação e desnazificação da Ucrânia pela Rússia. Para preservar sua identidade como nação imperial, proteger a integridade da Fé Ortodoxa e garantir a paz de todo o mundo multipolar, a Rússia espalhará esse processo de desnazificação a todo o mundo.
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  • Denis S. Diderot
    Bons desejos mas suspeito de que não correspondam ao que irá acontecer. Infelizmente.
  • Jose Monteiro
    Pode não ser tão linear, até por não ser traçado a régua e esquadro e compasso para as curvas linhas geográficas, mas não pode a tese ser acusada de falta de nexo! Um plano que não possa ser alterado e adaptado, não é um plano, é um beco!
    Quando a guerra ( a única que temos, todas as outras estão em hibernação ou stand by ) começou e que assentava em 3 pilares: desmilitarizar, desarmar e desnazificar a Ucrânia, era uma grande ajuda para a Europa onde, a neoliberalização estava a deixar nascer e crescer os que se sentem bem a fazer as tropelias que são a sua forma de estar e sentir! Poucos são os que viveram os efeitos do Nazi-fascismo e foi a então URSS quem mais contribuiu com vidas pedidas e cidades e vilas e aldeias destruídas. quem ainda teve força para subir ao Reichtag e ali colocar a bandeira! Se a limpeza for feita na Ucrânia, é mais que certo que os Vox, os Le Pen, os fanfarrões emplumados alemães e outros comecem a pensar que o caninho é perigoso!